Havia cerca de 150 delas, elas eram das mais variadas cores, tamanhos e cheiros, vinham de diversos lugares, e cada uma trazia consigo a bagagem e o peso de ser quem são. Ali haviam desejos, esperanças e devaneios, tinha um misto de glória também, mas essa não estava aparecendo tanto naquele dia. Era um dia quente, daqueles dias úmidos que Porto Alegre gosta de fazer acontecer, dias em que a pele fica brilhosa, de suor, em que os olhos ficam brilhando de cansaço e que o corpo fica difícil de carregar, pelo peso da água do ar. Ao chegar, havia um convite explícito em mim de despir-me, primeiro, tiramos os sapatos (ai meus pés...pensei, achei que não estava preparada para me descalçar..aí se fez a primeira insegurança daquela úmida noite). Logo após o convite era: desconecte, ou seja, deixe o seu munto paralelo aqui fora e entre sem nada que lhe faça lembrar que existe vida lá fora.
Descalça e desconectada (segunda insegurança aparece..e se precisarem falar comigo, como vão me encontrar? E se urgente for?). Entrei, deixando para traz esses "des", mas continuando com as inseguranças, afinal onde se sentar? Fui para a parte da frente da sala (como um movimento natural de quem dá aulas, mas ali não poderia) sentei-me no chão, meio na frente, mas olhando para a frente da sala. Ali onde estava sentada, estava quente, úmido e dali eu tinha uma visão de toda a sala de aula. Elas se olhavam com uma cumplicidade difícil de acreditar, se abraçavam com uma verdade que me parecia falsa e contava contos de suas vidas com bastante verdade na fala. Me bate então a insegurança número 3, afinal, onde estava entrando, sendo que todos já se conheciam (como é forte essa determinação de não gostar de locais com pessoas desconhecidas). Estava eu sentada com as pernas cruzadas...e elas não paravam de entrar, centenas, todas querendo ouvir o que a palestrante tinha para nos falar. A palestrante falou, e mostrou alguns exemplos de pessoas que entraram ali como eu e saíram outras, bem melhores para elas. Compreendi um pouco com a palestra o porque que aqueles seres eram tão cúmplices e pude entender como a verdade daqueles atos poderia ser verdade mesmo.
Dessa forma, minha mente ficou absorvida por uma frase reveladora para o meu ser que foi: "Considerando a profunda observação de Jung, segundo a qual o maior fardo que a criança precisa carregar é a vida não vivida dos pais, cada filho precisa examinar, em que lugar as feridas do pai foram passadas para ele. Ou ele se encontra repetindo os padrões do pai ou vive em permanente reação a eles...Qual foi a vida não vivida do meu pai, e que eu a estou , de alguma maneira, vivendo por ele ?”
Nossa, essa frase me revela tanto, me deixa ter a consciência de tanto pelo qual passei e me faz ver o quanto ainda tenho pela frente. Eins aí as rédeas da minha vida, não precisava aquela palestra me passar mais nada, essa frase tinha me conquistado.
E então, nessas horas, entra a Barata, com sua feminilidade e maestria, a voar, bater suas asas pelas nossas cabeças e esnobando o seu valor de loucura que ela normalmente causa nas pessoas...foi lá, voou, assustou, foi assustada, se escondeu e tomou seu rumo.
E ali, com um número grande de mulheres, mulheres femininas, mulheres de saias e cabelos livres, mulheres guardiãs e que possuíam um "q" de poder em seus colares. Ali tinham mulheres verdadeiras e femininas ou em busca de....com a intenção de se tornarem essência.
E por mais que esse ambiente feminino demais, harmonioso demais e com tanto carinho me causa estranhamento no início, me senti conquistada e chamada para desenvolver o meu feminino, o meu essência, o meu sagrado e me transmutar.
E então, nessas horas, entra a Barata, com sua feminilidade e maestria, a voar, bater suas asas pelas nossas cabeças e esnobando o seu valor de loucura que ela normalmente causa nas pessoas...foi lá, voou, assustou, foi assustada, se escondeu e tomou seu rumo.
E ali, com um número grande de mulheres, mulheres femininas, mulheres de saias e cabelos livres, mulheres guardiãs e que possuíam um "q" de poder em seus colares. Ali tinham mulheres verdadeiras e femininas ou em busca de....com a intenção de se tornarem essência.
E por mais que esse ambiente feminino demais, harmonioso demais e com tanto carinho me causa estranhamento no início, me senti conquistada e chamada para desenvolver o meu feminino, o meu essência, o meu sagrado e me transmutar.
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